Mãe diz que filha tem recebido mensagens de ódio após conversa sobre assédio viralizar

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Em gravação, orientador afirmou que se houvesse um assédio na escola, “em parte, a culpa” seria dela devido à roupa que vestia. Fato aconteceu na Escola Estadual Beira Rio, no distrito de Luzimangues, em Porto Nacional. Jovem mostra roupa que estava usando ao denunciar assédio na escola
Reprodução
A mãe da estudante que viralizou ao expor uma conversa que teve com um orientador escolar diz que a filha tem recebido mensagens de ódio e não sabe se vai voltar à escola. A adolescente de 15 anos foi repreendida porque estaria com “roupas inadequadas” e gravou o momento em que o funcionário afirmou que se houvesse um assédio “em parte, a culpa” seria dela. O fato aconteceu na Escola Estadual Beira Rio, no distrito de Luzimangues, em Porto Nacional.
Depois da conversa a jovem publicou um relato no Tik Tok e procurou a Polícia Civil. O caso foi registrado como uma violação dos direitos da criança e do adolescente e a Secretaria de Estado da Educação afastou o servidor do contato com os estudantes.
A mãe da jovem conversou com o g1 na tarde desta sexta-feira (15) e explicou o contexto da conversa. Ela disse que a filha e outras estudantes foram levadas para a sala do orientador por um funcionário da escola porque supostamente estaria com ‘roupas inadequadas’ na escola.
“Chegando lá ele falou que a roupa delas estava inadequada para escola e teriam que assinar um termo de responsabilidade. As outras meninas assinaram, ela as viu assinando e falou que não ia assinar. Ele questionou porque e ela falou que não ia assinar porque a roupa dela não era inadequada. Ela não estava nua, estava muito bem vestida”, relatou.
Segundo a mulher, que não será identificada nesta reportagem, o funcionário afirmou que se a jovem fosse assediada na escola a culpa também seria dela. “A minha filha é muito emotiva, ela chora muito fácil mesmo. Disse que já começou a chorar, embaralhou a voz e não sabia como reagir. Ela disse que foi quando teve a ideia de gravar o que ele falou para ela”.
No diálogo publicado pela jovem nas redes sociais é possível ouvir trechos da conversa. Chorando, a menina pergunta: “Eu tenho culpa de ser assediada por causa da minha roupa”? O orientador diz: “Dependendo de cada roupa tem”.
A adolescente mostra que estava usando um tênis, uma calça jeans e uma blusa regata de cor preta. O diálogo segue:
Estudante: É isso? A culpa do assédio é minha pela roupa que eu estou usando?
Orientador: Em certas partes é, você entendeu? Estou chamando você para conversar, você não está gostando, imagina se eu olhar para você com segundas intenções?
Estudante: Meu Deus, eu tenho 15 anos. Olha a minha idade e olha o que tu está falando, cara.
Em outro trecho, desta vez com a presença do diretor da unidade, a jovem pergunta se ele concordava que o assédio era culpa da vítima. Ele respondeu: “Não concordo, não”. O diálogo continua:
Orientador: Eu falei que em partes a culpa é sua.
Estudante: Porque? Por causa da minha roupa?
Orientador: Isso.
Perfil Fake e mensagens de ódio
O relato feito pela jovem viralizou no Tik Tok, alcançando mais de 8 milhões de visualizações. Mais de 28 mil pessoas, entre anônimos e famosos, comentaram na publicação lamentando o fato.
Depois de tanta repercussão a mãe da jovem conta que na tarde desta sexta-feira (15) foi criado um perfil fake da filha no Instagram e a adolescente também começou a receber mensagens de ódio pelas redes sociais.
“Quanto a voltar para escola eu perguntei e ela só fala: mãe eu ainda não sei se quero voltar. É só o que ela fala”, disse a mãe.
O g1 verificou às 21h que o perfil tinha sido alterado, não contendo mais nenhuma mensagem ou foto que remetesse à jovem.
Servidor afastado
A Secretaria Estadual da Educação, Juventude e Esportes (Seduc) informou que o orientador foi afastado das atividades que tenham contato com alunos. Também afirmou que a unidade de ensino levará a situação ao conhecimento do Conselho Tutelar, pois se trata de uma aluna menor e acompanhará as decisões que dele forem tomadas, informou.
Além disso, a Diretoria Regional de Educação, Juventude e Esportes (DRE) encaminhará, formalmente, a demanda para o Núcleo de Assuntos Disciplinares para que seja aberta uma Sindicância Administrativa Investigativa para a verificação aprofundada dos fatos.
A Seduc se posiciona veementemente contrária a toda e qualquer situação de assédio e ressalta que os procedimentos necessários serão adotados para que a estudante seja amparada e os envolvidos, responsabilizados. Por fim, esta gestão assegura que não tolera qualquer ato que vá de encontro ao direito das mulheres de serem respeitadas.
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Fonte: G1 Tocantins