As conclusões do relatório que aponta que papa Bento XVI falhou em combater abusos

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Um relatório encomendado pela Igreja Católica apontou que Bento XVI se omitiu em relação a quatro casos de abuso sexual infantil em Munique nos anos 70 e 80, quando ele era arcebispo. Ele nega a acusação. O ex-papa Bento XVI se omitiu em quatro casos de abuso infantil quando era arcebispo de Munique, apontou uma investigação sobre a Igreja Católica alemã.
Josef Ratzinger ocupou o cargo na cidade de 1977 a 1982. Ele negou as acusações.
Mas um novo relatório sobre alegações de abuso na história da Igreja Católica, produzido por um escritório de advocacia alemão, acusou o pontífice.
O abuso continuou sob seu mandato, aponta a investigação, e os padres acusados ​​permaneceram ativos em seus papéis na igreja.
O ex-papa, agora com 94 anos, tornou-se o primeiro líder da Igreja a renunciar em mais de 600 anos, em 2013, alegando exaustão. Desde então, ele leva uma vida bastante tranquila na Cidade do Vaticano e recebeu o título de papa emérito.
O novo relatório do escritório de advocacia alemão Westpfahl Spilker Wastl foi encomendado pela própria Igreja Católica.
“Dois desses casos dizem respeito a abusos cometidos durante seu mandato e sancionados pelo Estado”, disse o advogado Martin Pusch ao anunciar o relatório.
“Em ambos os casos, os perpetradores permaneceram ativos no cuidado pastoral.”
Segundo o relatório, o ex-papa sabia sobre as acusações de que um padre havia abusado de meninos, pois ele fora transferido para sua diocese. Porém, ele continuou a trabalhar em funções de cuidado pastoral, que geralmente envolvem visitar e apoiar pessoas dentro da comunidade.
O ex-papa teria enviado dezenas de páginas de respostas aos questionamentos do escritório de advocacia, no qual expressou apoio ao inquérito, mas negou qualquer conhecimento ou omissão em relação às alegações de abuso.
O relatório, no entanto, contém atas que sugerem de maneira incisiva que ele esteve presente em uma reunião na qual o assunto foi discutido.
O Vaticano disse em comunicado que examinará os detalhes do relatório assim que ele for publicado.
“Ao reiterarmos o sentimento de vergonha e arrependimento pelos abusos de menores por parte de padres, a Santa Sé expressa seu apoio a todas as vítimas e confirma o caminho para proteger os menores, garantindo-lhes espaços seguros”, acrescentou o Vaticano.
Um relatório anterior sobre abuso na Alemanha concluiu que mais de 3.600 pessoas em todo o país foram abusadas por membros do clero entre 1946 e 2014. Muitas das vítimas eram muito jovens e serviam como coroinhas.
O novo relatório que analisou casos específicos das áreas de Munique e Freising encontrou pelo menos 497 vítimas de abuso entre 1945 a 2019.
Além do ex-papa, o relatório criticou outras figuras da Igreja, incluindo o atual arcebispo da região, o cardeal Reinhard Marx. Ele foi acusado de ter deixado de agir em dois casos de suposto abuso.
O cardeal já ofereceu ao papa Francisco sua renúncia em junho de 2021, dizendo que ele deveria compartilhar a responsabilidade pela “catástrofe” de abuso que estava vindo à tona.
O papa Francisco, no entanto, recusou-se a aceitar a renúncia. Dias antes, o papa havia mudado as leis criminais do Vaticano, endurecendo a posição da Igreja em relação ao abuso sexual.

Fonte: G1 Mundo